sábado, junho 16


Nuvem
Que sodomiza a lua,
Porque
Te quedas
Cinza
Se a pouco
(Eras)
Rubra?

Só mesmo
As nuvens
Morrem de
Vergonha...


Espero poder
Viver, espero
Não precisar
– Não – me suicidar
– Não! – Eu não
Preciso
Desta
Covardia...

Prefiro observar
As nuvens que correm
– Acinzentadas –
Para socorrer
O céu
Triste
E hemorrágico
(Como quem
Leva um tiro).

Às vezes
Tenho nojo
De tudo o que há
(E sei que há poeira
A me cobrir e
Sei que é
Feita da pele
E dos cabelos
Carcomidos
De toda essa gente
Que anda por aí
Me olhando feio
E apontando o dedo).
Eu me coço.
Eu me coço.

Quero estar
Bem longe de
Noventa e
Sete
Por cento
Da população mundial:
Isso tudo pode ser
Contagioso...

Em meus passeios escuros,
Munido do gorro contra o frio
E do fumo para a boca
Da imaginação,
Me deparo sempre
Com coisas magníficas
E silenciosas
- Deliciosamente
Pequenas e sem valor
A maioria dos outros
Olhos
Do mundo.

É isso que espero
De um amor:
Que saia para conhecer,
Comigo,
O valor do sereno,
Das flores
E das lesmas
Noturnas,
A vida – o cheiro –
Dos pequenos prazeres.

Há tanto de mim
Desencontrado
De meu corpo
Que – bem – já
Não – eu – sei
Se – lhe – sou...
O que foi, amor,
O que foi que tu
Fizeste de mim?
Até hoje
Inda sinto
Teu perfume
Pelas ruas
Bonitas
Da cidade.

Não gosto do barulho
Do dia.
Não gosto do dia
E seus inúmeros
Carros
E aviões
E pessoas
E cartazes.
O dia me agride...

É quando cai
A noite
Que tudo se revela
E a beleza nasce,
Enfim,
Do silêncio
(Madura
Como um fruto
Suicida).

quarta-feira, maio 4

13.485

Como te desejei
Quando te vi,
Quando me deste
A linda paz
(A serenidade
Do monge
Da montanha)
Que só poderia
Encontrar
No teu vale
Profundo,
Na tua campina
Esguia.

Sou um eremita
Feliz
Na tua geografia
Rara.